História

1826 - 1856

Por milhares de anos, as terras hoje delimitadas como município de Ivoti, pertenceram aos habitantes nativos, sendo que a presença indígena mais antiga no local, remete a 10.500 anos atrás, constituindo o que os arqueólogos chamam de Tradição Umbu. Pela ação de bandeirantes paulistas surgiram estradas embrenhadas na mata e a região passou a ser percorrida no séc. XVIII por tropeiros, passando a fazer parte da rota do gado nos estados do sul.

Inserida dentro do processo de colonização do país, Ivoti recebeu em torno de 1826 diversas famílias de origem germânica, vindas em maioria da região do Hunsrück, que instalaram-se nos 48 lotes de terra distribuídos ao longo do Arroio Feitoria e nas Colônias de Bom Jardim. Ergueram inicialmente suas choupanas de palha, para mais tarde construírem casas que destoavam totalmente de toda a arquitetura gaúcha, eram as medievais casas enxaimel, montadas através de encaixes de madeira e preenchidas com pedras e barro, revestidas de uma camada de cal, possuíam geralmente um prédio menor em anexo que abrigava a cozinha com a chapa de fogão, o tradicional, "kochplatt" (chapa para cozinhar).

Nos primeiros anos, o estranhamento do ambiente novo foi grande e até tamanduá foi confundido com o "diabo", era difícil adaptar-se a vida nas matas subtropicais e por isso até hoje, um dos lugares mais encantadores da cidade é chamado de "Buraco do Diabo", local que preserva o Núcleo de Casas Enxaimel restaurado, servindo de ponto de referência e identidade da comunidade ivotiense.

1857 - 1866

Aos poucos, a colônia foi crescendo e o entroncamento das Picadas com a estrada passou a servir como entreposto comercial, onde os agricultores podiam trocar seus sacos de milho, feijão e aipim por produtos que não dispunham nas casas como tecidos, tamancos de madeira, louças, entre outros, além de poder negociar com os tropeiros.

Rapidamente se percebeu a necessidade da construção de uma ponte sobre o Arroio Feitoria, pois o fluxo de pessoas na área já era grande. Entre 1857 e 1864 essa ponte foi construída com verba enviada por Dom Pedro II, daí seu nome, Ponte do Imperador.

Mas, na medida em que a região prosperava, identificava-se um problema que afetava a economia local: o Arroio Feitoria, fonte de vida, transformava-se em transtorno com as chuvas de inverno, arrastando consigo boa parte do que as famílias haviam conquistado. Aos poucos, os moradores ribeirinhos foram morar nas áreas mais altas da cidade, dando origem ao atual Centro do município.

1867 - 1969

Em 1867, estas terras eram conhecidas pelo nome de Bom Jardim, na época ainda distrito de São Leopoldo. Mais tarde, em 1938, finalmente surgia Ivoti, remetendo ao tupi-guarani "ipoti-catu", que significa flor, identificando a cidade com uma de suas tradições: o plantio de flores em frente às casas, formando jardins multicoloridos.

Dentro de uma perspectiva de crescimento econômico e demográfico, Ivoti naturalmente se encaminhou, no início da década de 60, para o processo de emancipação, que após diversos trâmites, veio a se realizar em 1964, sendo a Lei de Criação do Município de 19 de outubro daquele ano, data até hoje festejada com muita alegria.

Na seqüência, em 1966, os dirigentes municipais deram um belo exemplo de diversidade cultural, destinando uma área de terras para serem ocupadas por 26 famílias de imigrantes japoneses, surgia assim a Colônia Japonesa, produtora de uvas de mesa, kiwi, hortaliças e flores.

1970 - Tempos Atuais

Como em quase todos os lugares, a urbanização veio para Ivoti com o desenvolvimento industrial. As primeiras oficinas criadas nos fundos das casas dos imigrantes foram crescendo e transformando-se em fábricas de calçados e curtumes, que na década de 70 expandiram suas atividades exportadoras e necessitaram de mais mão-de-obra. Naquele período, Ivoti recebeu migrantes do norte do nosso estado e de Santa Catarina que povoaram a área urbana e fizeram surgir bairros inteiros, colaborando para o fomento da economia local.

Em 1992, Ivoti gerou duas novas cidades: Presidente Lucena, antiga localidade de Arroio Veado e Lindolfo Collor, anterior Picada Capivara.

Hoje, Ivoti possui em torno de 20 mil habitantes distribuídos em uma área de 63 km², parte deles conserva, mesmo que adaptado, o dialeto que os imigrantes falavam quando aqui chegaram. Em Ivoti, os festejos são sempre regados com muito chope, as doceiras ainda preparam cucas e roscas, servidas com lingüiça cozida, tudo com gostinho de colônia.