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| Por
milhares de anos, as terras hoje delimitadas
como município de Ivoti, pertenceram
aos habitantes nativos, sendo que a presença
indígena mais antiga no local, remete
há 10.500 anos atrás, constituindo
o que os arqueólogos chamam de Tradição
Umbu. Pela ação de bandeirantes
paulistas surgiram estradas embrenhadas
na mata e a região passou a ser percorrida
no séc. XVIII por tropeiros, passando
a fazer parte da rota do gado nos estados
do sul. |
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| Inserida
dentro do processo de colonização
do país, Ivoti recebeu em torno de
1826 diversas famílias de origem
germânica, vindas em maioria da região
do Hunsrück, na atual Alemanha, que
instalaram-se nos 48 lotes de terra distribuídos
ao longo do Arroio Feitoria. Na época
a região era conhecida como Berghanschneiss,
Picada dos Berghan, pois essa foi uma das
famílias que primeiro veio morar
aqui. Ergueram inicialmente suas choupanas
de palha, para mais tarde construírem
casas que destoavam totalmente de toda a
arquitetura gaúcha, eram as medievais
casas enxaimel, montadas através
de encaixes de madeira e preenchidos com
pedras e barro, revestidas de uma camada
de cal, possuíam geralmente um prédio
menor em anexo que abrigava a cozinha com
a chapa de fogão, o tradicional,
“kochplatt”. |
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| Nos
primeiros anos, o estranhamento do ambiente
novo foi grande e até tamanduá
foi confundido com o “diabo”,
era difícil adaptar-se a vida nas
matas subtropicais e por isso até
hoje, um dos lugares mais encantadores da
cidade é chamado de “Buraco
do Diabo”, local que preserva um Núcleo
de Casas Enxaimel restaurado, servindo de
ponto de referência e identidade da
comunidade ivotiense. |
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| Aos
poucos, a colônia foi crescendo
e o entroncamento das Picadas com
a estrada passou a servir como entreposto
comercial, onde os agricultores podiam
trocar seus sacos de milho, feijão
e aipim por produtos que não
dispunham nas casas como tecidos,
tamancos de madeira, louças,
entre outros, além de poder
negociar com os tropeiros. |
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| Rapidamente
se percebeu a necessidade da construção
de uma ponte sobre o Arroio Feitoria,
pois o fluxo de pessoas na área
já era grande. Em 1855 essa
ponte foi construída com verba
enviada por Dom Pedro II, daí
seu nome, Ponte do Imperador. |
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| Mas
na medida que a região prosperava,
identificava-se um problema que afetava
a economia local: o Arroio Feitoria, fonte
de vida para as famílias, transformava-se
em transtorno com as chuvas de inverno,
arrastando consigo boa parte do que as famílias
haviam conquistado. Aos poucos, os moradores
ribeirinhos foram morar nas áreas
mais altas da cidade, dando origem ao atual
Centro do município. |
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| Em
1867, Berghanschneiss passou a chamar-se
Bom Jardim e era, ainda, distrito
de São Leopoldo. Mais tarde,
em 1938, finalmente surgia Ivoti,
remetendo ao tupi-guarani “ipoti-catu”,
que significa flor, identificando
a cidade com uma de suas tradições:
o plantio de flores em frente às
casas, formando jardins multicoloridos.
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| Dentro
de uma perspectiva de crescimento
econômico e demográfico,
Ivoti naturalmente se encaminhou,
no início da década
de 60, para o processo de emancipação,
que após diversos trâmites,
veio a se realizar em 1964, sendo
a Lei de Criação do
Município de 19 de outubro
daquele ano, data até hoje
festejada com muita alegria. |
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| Na
seqüência, em 1966, os
dirigentes municipais deram um belo
exemplo de diversidade cultural, destinando
uma área de terras para serem
ocupadas por 26 famílias de
imigrantes japoneses, surgia assim
a Colônia Japonesa, produtora
de uvas de mesa, kiwi, hortaliças
e flores. |
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| Como
em quase todos os lugares, a urbanização
veio para Ivoti com o desenvolvimento industrial.
As primeiras oficinas criadas nos fundos
das casas dos imigrantes, foram crescendo
e transformando-se em fábricas de
calçados e curtumes, que na década
de 70 expandiram suas atividades exportadoras
e necessitaram de mais mão-de-obra.
Naquele período, Ivoti recebeu migrantes
do norte do estado que povoaram a área
urbana e fizeram surgir bairros inteiros,
colaborando para o fomento da economia local.
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| Em
1992, Ivoti gerou duas novas cidades: Presidente
Lucena, antiga localidade de Arroio Veado
e Lindolfo Collor, anterior Picada Capivara.
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Hoje,
Ivoti possui em torno de 18 mil
habitantes distribuídos em
uma área de 75 km²,
parte deles conserva, mesmo que
adaptado, o dialeto que os imigrantes
falavam quando aqui chegaram. Em
Ivoti, os festejos são sempre
regados com muito chope, as doceiras
ainda preparam cucas e roscas, servidas
com lingüiça cozida,
tudo com gostinho de colônia.
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