Hidromel será atração na Feira do Mel Rosca e Nata de Ivoti

 O segredo para a produção do Hidromel não é revelado pelo senhor Ernani Maldaner. A receita, segundo ele, está em um dos tantos livros sobre apicultura que ele trouxe ou encomendou da Alemanha. Ao longo de seus 83 anos, muitos deles dedicados a apicultura, Maldaner acumula uma biblioteca em alemão clássico, língua que lê, escreve e fala fluentemente. Algumas bibliografias estão em alemão gótico, o qual também consegue interpretar perfeitamente. Dentre os livros estão várias revistas do Ministério da Agricultura alemão que tratam exclusivamente sobre apicultura.

Para produzir a bebida, o aposentado usa uma sala nos fundos de sua residência no município de Campo Bom onde, segundo ele, não é qualquer pessoa que entra. Maldaner informa que a produção é muito delicada, exige paciência e cuidados, pois pode se estragar facilmente. A higiene é o principal aspecto. Devido a pureza ser maior, o produtor utiliza água captada da chuva para sua produção. Conforme ele, A bebida necessita estar em ambiente com temperatura natural que deve ser amena. “No verão cheguei a registrar 42 graus, nessa temperatura é impossível fabricá-la”.

Após um ano sendo preparado, o líquido é envasado em garrafões de vidro, muito utilizado para engarrafar vinho. Para expor o produto na Feira do Mel Rosca e Natal de Ivoti, o aposentado usa garrafas menores de 375ml e 750ml, as quais também são vendidas para o Brasil inteiro. Ernani tem clientes em Roraima e vários outros estados. São produzidos dois tipos da bebida, seco e suave. Os ingredientes se resumem em mel, água da chuva e levedura importada da Suíça, que é cultivada especificamente para fazer Hidromel.

Maldaner ainda dá dicas para obter a melhor degustação. “Observar a ti mesmo para sentir o efeito. É muito diferente de tomar cerveja, ou vinho de uva. Na última Feira do Mel o pessoal que provava ficava alegre, porém uma alegria ingênua, divertida. Quem quer degustar bem, não deve fumar e nem ter bebido outro tipo de bebida alcoólica. O Hidromel deve ser consumido em temperatura ambiente.”

O Hidromel é fabricado há vários milênios e será exposto na 8ª Feira do Mel Rosca e Nata de Ivoti. Maldaner cita que o líquido era usado pelo povo Vikings nos tempos antigos. “Nas guerras, as mulheres ofereciam Hidromel para os maridos com o objetivo de dar mais estímulo, força e coragem para eles. Isso está nos livros, não sou eu que estou dizendo” explica.

Maldener faz questão de relatar que mantém a produção de Hidromel para se ocupar. Ele conta que se aposentou bem e cedo e que precisa ter uma atividade para manter a cabeça ocupada. O gosto pelo trabalho é tanto que ele realizou uma viagem para Alemanha para buscar conhecimento sobre o produto. Lá conheceu um produtor que chega a produzir um milhão de garrafas de Hidromel por ano. O líquido é muito consumido na Alemanha, onde também é fabricado como se fosse um espumante, diferente do produzido por Ernani, que se assemelha ao vinho.

O mundo acaba sem abelhas

Em sua residência Ernani Maldaner mantém vivo o costume de criação de abelhas que herdou de seu avô. No local possui algumas espécies sem ferrão, como Jataí, Mandasaia e Tubuna, que produzem mel saudável e medicinal. No entanto, a produção é pouco aproveitada para consumo, o produtor mantém os animais somente para polinização. “Quando não tiver mais abelhas, em cinco anos termina o mundo, li isso no Jornal O Estado de São Paulo. Tudo se mantém devido a polinização. Sem isso, acabam as sementes e não haverá produção de frutos, que é a principal atividade das abelhas, antes mesmo da produção de mel e é por isso que tenho esses bichos aqui, não é para consumo de mel” ressalta.


Diego Leonhardt
Assessoria de Imprensa 

 

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